As duas prefeituras brasileiras mais abençoadas nestes quatro meses de 2018, no tocante ao recebimento da cota-parte da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), são do Pará e se chamam Parauapebas e Canaã dos Carajás. Essas prefeituras comandam os dois maiores reis mundiais da produção de minério de ferro de alto teor. Não há produto melhor no planeta, em larga escala, que seja lavrado fora do eixo Parauapebas-Canaã e com o custo-benefício do projeto S11D, neste último.

Por causa desses fatores, as prefeituras de Parauapebas e Canaã dos Carajás beneficiam-se do farto repasse da Cfem efetuado pela mineradora multinacional Vale. A Cfem é mais popular como royalty de mineração.

No pelotão das cinco prefeituras que mais arrecadaram royalties de janeiro a abril deste ano (com a última cota depositada na sexta, dia 6), as duas já mencionadas ganham reforço da Prefeitura de Marabá, que está em 4º lugar, ainda assim deve subir para 3º até o final do ano — já chegou a ser a 2ª mais próspera em um passado recente. Marabá se vale da produção de cobre em concentrado em ritmo crescente.

A Associação Paraense de Engenheiros de Minas (Assopem) fez o listão com as 30 prefeituras que mais receberam royalties este ano, até o momento, e percebeu que em meio ao fogo cruzado de cédulas de Real entre os municípios paraenses e mineiros, algumas localidades de Goiás ganham espaço caladinhas.

O município goiano de Novo Horizonte, por exemplo, desbancou este mês Canaã dos Carajás, pela primeira vez, na movimentação operacional de cobre e agora persegue Marabá pelo primeiro lugar nacional. Dificilmente conseguirá alcançar, já que Marabá, com seu projeto Salobo, tem o triplo de movimento de cobre do Sossego, em Canaã, e da Maracá, em Novo Horizonte. Ainda assim, mesmo atrás, a mineração em Novo Horizonte já consegue destacar sua prefeitura municipal como a 13ª que mais arrecada royalties no país.

Nada, porém, se iguala às comparações feitas com a rainha dos royalties, que é a Prefeitura de Parauapebas. Em apenas quatro cotas arrecadadas este ano, aquele executivo municipal já recebeu muito mais dinheiro, só de royalties, que um ano inteiro de arrecadação de 110 prefeituras paraenses. Com o reforço dos royalties, aliás, a Prefeitura de Parauapebas fechou 2017 como uma das 50 mais ricas do Brasil, num país que tem, hoje, 5.568 prefeituras.

Vale lembrar, contudo, que os royalties são originados da exploração de recursos finitos e que seu uso é para, entre outros aspectos, diversificar a economia, gerando emprego e renda, e contribuir com a melhoria do desenvolvimento da qualidade de vida dos habitantes dos lugares perto dos quais ocorre a lavra mineral. (Assopem)